Promoção da Saúde para Prevenção e Ação na Doença de Alzheimer - 19.02.17

Nesta edição, trataremos a respeito do Alzheimer, doença que muitos enxergam como inevitável no decorrer do processo do envelhecimento. Porém, para quebrar este mito e outros que acompanham esta doença, convidamos a Daniela Stein, Especialista em Geriatria e Gerontologia Interdisciplinar, em Ciências do Exercício, profissional da Educação Física e Membro da Diretoria  da ABRaz  (Associação Brasileira de Alzheimer) da Regional RS e Nacional; para nos falar sobre a prevenção (sim, é possível!) e a ação ao nos vermos diante desta doença. Com a palavra, Daniela:

“O conceito sobre promoção da saúde é o de gerar condições gerais e específicas de vida que não dizem   respeito a alguma doença específica. A Organização Mundial da Saúde – OMS  considera  fatores determinantes da promoção da  saúde: alimentação, educação,  atividade física, trabalho, renda, moradia, saneamento básico, meio-ambiente adequado, lazer, acesso aos bens e serviços essenciais. Para cada indivíduo e sociedade o impacto desses fatores gera  um resultado  conforme  o acesso e inclusão desses fatores foram determinantes ao longo da vida.

Também segundo a Organização das Nações unidas – ONU, investir em atividades  intelectuais que estimulem a cognição, (como ler, aprender um idioma ou mais) se alimentar com baixa ingestão de açucares e carboidratos, praticar  um exercício físico regular  e orientado, são ações que promovem bem-estar, aumentando significativamente a expectativa de vida e diminuindo fatores de risco que geram doenças crônicas e crônicas neurodegenerativas  que podem ser evitadas ou minimizadas  a partir de mudança de hábitos e estilo de vida, tais como Diabetes tipo II e III, Obesidade, Depressão e Doença Alzheimer.

A cada quatro segundos, a nível mundial, é feito um diagnóstico de doença crônica neurodegenerativa e, no Brasil, há mais de um milhão e meio de pessoas com a doença. As  evidências apontam para números alarmantes e a falta de planejamento para o aumento populacional  e a expectativa de vida,  associados a falta de  políticas(públicas /privadas) são desafios para um Brasil nada  preparado para  atender a velhice seja saudável, quiçá, patológica.

O envelhecimento é um processo individual e contínuo durante o qual ocorre declínio progressivo de todos  os processos fisiológicos , que se inicia em torno dos 25 anos de idade. Mantendo-se um estilo de vida ativo  e saudável, podem-se retardar as alterações  decorrentes desse processo, mesmo para quem nunca se preocupou  ou planejou seu envelhecimento e velhice.

Planejar e promover e fazer prevenção primária (a ausência de doença) e a secundária ( a presença de uma ou mais doença (s) são conceitos relativamente informados pela mídia, porém, o acesso direto e programas  educacionais de aderência e relevância para saúde são poucos.  É necessário ser protagonista desse processo, preferencialmente cedo,  e desmistificar o envelhecimento e a  velhice como sinônimos de doença, ver benefícios, pois  cada fase tem nuances pessoais e individuais, assim como os tipos de envelhecimento (bem sucedido e saudável ou patológico)

Doença de Alzheimer no Mundo e no Brasil

Descoberta no final do século XIX,  e descrita pelo  médico Louis Alzheimer , é uma doença  crônica neuro degenerativa progressiva  e incurável. Suas principais características e sintomas são relacionados a perdas cognitivas:  memória, linguagem, raciocínio, atenção, noção espaço tempo  e comportamento. O diagnóstico com o médico (preferencialmente com  Geriatra,Neurologista,Clínico Geral ou Psiquiatra),  é indispensável para o melhor atendimento do paciente e seus familiares. Alguns autores classificam a doença em fases : Inicial, Intermediária e Avançada.

A doença de Alzheimer, considerada rara a cerca de 30 anos atrás, quando o idoso era sinônimo de caduco, esclerosado e gagá; atualmente, é erroneamente vista como a doença em que todo idoso um dia será diagnosticado.

Mitos e Crenças

Também há crenças como:

A de que ela acomete as pessoas que foram más no passado” (crenças sociais, religiosas)

“Como é incurável, não há o que fazer… melhor deixar assim”

“Toda pessoa idosa (com idade cronológica a partir dos 65 anos) é velha e terá o diagnóstico da Doença de Alzheimer”

Os idosos em geral são indivíduos doentes e a maioria terá a DA ou outras doenças incuráveis

Com a idade todos perdem a memória e “isso é comum” faz parte, é coisa de velho”

Depois de ficar “idoso e velho” não há o que fazer..já está velho mesmo..”

 

Orientações e Ações após o Diagnóstico

Em geral, a família ao perceber as mudanças até ter o diagnóstico, passa também por varias etapas  de entendimento, enfrentamento  e ações que vão da compreensão, decisão quanto a comunicação ( ou não) e conceito da doença, a atitudes que requerem  gestão e  reorganização familiar, que transita em  questões econômicas, suporte de pessoas para atender o paciente na evolução da doença, como  também aos familiares, que em geral  ficam sobrecarregados (não sendo regra,  predominante na  figura da mulher,  esposa , filha e noras).

Por ser uma doença estressante e de longa duração (de 10 a 20 anos, em média), buscar alternativas para minimizar os reconhecidos efeitos que a doença traz para o núcleo familiar é um dos primeiros passos, bem como manter atividades pessoais , hobbies e  núcleos de convivência  para obter mais suporte para lidar com a sua realidade.

A promoção da educação para a saúde conforme citado  é a vitamina da vida, já a prevenção se não planejada, se torna o remédio para toda vida.

Se você tem um familiar com a Doença de Alzheimer ou conhece alguém , o conhecimento é uma ferramenta fundamental , porém, o amor, o suporte ambiental na área da saúde a  história de vida de cada um  serão o “tempero essencial” para se obter qualidade de vida.”

 

Se você tiver alguma dúvida ou se precisar demais alguma informação a respeito deste assunto, encaminhe seu email para nós. Também se quiser nos sugerir algum tema para este espaço, será um prazer receber sua contribuição! Nosso email para mensagens é falecom@ohanaconciergerie.com.br

 

Bibliografia

  • Promoção da Saúde; Conceitos, Reflexões e Tendências – Dina Czeresma / Luis David Castiel
  • Envelhecimento, Atividade Física e Saúde –  Sandra Marcela Mahecha Matsudo
  • Ministério da Saúde Secretaria de Políticas de Saúde
  • ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer – Abraz.org.br)
  • Projeto Promoção da Saúde BRASÍLIA – DF2002
  • O QUE É LAZER? – Paulo Sérgio Santos de Souza