Você joga videogame? - 30.09.16

OLHANDO PRA TRÁS

Parte de minhas lembranças de infância na praia são com meu avô, tios, pai, parentes mais velhos passando os finais de tarde a jogar bocha na beira da praia. Eles chegavam ao cúmulo de utilizarem pazinhas e vassourinhas para o jogo. Todos os dias organizavam a quadra, limpavam milimetricamente os gravetos e sujeiras maiores, tiravam as bolas da caixa  e, como se fossem soldados, se preparavam para “a guerra”. Era um ritual maravilhoso de ver… e eu adorava, me deliciava, fazia parte do verão…como se fizesse parte das ondas do mar, dos castelos e tudo o mais. Esses jogos eram especiais, pois traziam a magia do convívio entre a família. Mas eram outros tempos que não existem mais!

Nos dias atuais, nas festas de família, é comum vermos a turma dos mais jovens assistindo a dois deles com aqueles controles (que eles chamam de joystick) na mão, enquanto cada um espera sua vez de jogar. Já quando falamos em idosos e jogos, quase sempre associamos a jogos de tabuleiro, carteado, bocha; enquanto que os jogos de computador ou videogames quase nunca são lembrados. Isso talvez aconteça porque o número de jovens e crianças que os utilize seja em quantidade muito maior ao de pessoas mais velhas. Felizmente, essa balança está começando a pender para o outro lado. Aos poucos, os mais velhos estão tomando gosto pelo jogar no computador e até mesmo o videogame tem sido utilizado como forma de lazer entre os diversos membros das famílias.

E COMO É HOJE?

Há poucas décadas, estudiosos na área da neurociência descobriram que os jogos eletrônicos produzem diversos benefícios para algumas partes de nosso corpo, como a memória, atenção, foco. Mais recentemente, o videogame Wii tem sido usado em técnicas fisioterápicas para tratamentos de doenças como Parkinson, doenças neurológicas do Sistema Nervoso Central, além de problemas motores em geral. Hoje em dia, é sabido que os jogos eletrônicos possuem todo um mecanismo que estimula os neurônios e que os desafios proporcionados por eles criam uma atmosfera fértil para estimular os processos cerebrais.

Além disso, com o avanço e mudanças na nossa sociedade, onde os jogos eletrônicos estão ganhando outras formas de utilização, os idosos utilizando-os também poderão fazer parte desta parcela da sociedade. Aí, novas propostas de entretenimento, onde avós se sentarão para jogar com os netos, idosos jogarão com conhecidos  de outras cidades de maneira virtual e ainda poderão ter excelentes conversas e jogar novos games com seus amigos (virtuais) e realizar papos (on line). Para tudo isso não faltam instrutores pacientes e jogadores loucos para curtir novas aventuras com pessoas mais velhas, mas com o mesmo espírito aventureiro dos jovens jogadores.

Talvez, num tempo não muito distante, novas lembranças de verões sejam refeitas por crianças do futuro, em que os idosos das famílias se sentem ao redor de aparelhos virtuais para jogar num exercício saudável e dinâmico a exemplo da bocha de antigamente…


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